sábado, fevereiro 17, 2007 

sorrir...





Dia 11 de Fevereiro.

Depois de uma LONGAAAAAAAA campanha onde penso que pouco se pensou e dialogou e onde muito se gastou e falou, votámos e decidimos.

Como muitos dos meus conhecidos e desconhecidos, estive de serviço como delegado da plataforma Não-Obrigado a uma das mesas de voto.

No final fiquei impressionado com a baixo número de votos do "Não" na minha mesa e nas mais próximas. Por cada voto do Não, 3 votos do Sim. Mas mais impressionada ainda ficou a outra delegada de um dos partidos, que defenderam o lado do Sim, com o meu sorriso.

Como podia eu estar a sorrir, perguntou-me ela? Estava perante uma derrota tremenda do Não. Que motivos tinha eu para sorrir? Na altura não me saiu nenhuma resposta decente.

Não sei.

No dia do referendo participei na Missa de celebração dos 25 anos da presença das irmãs de Calcutá aqui na minha terra. Fiquei fisicamente muito próximo dos que o aborto teria matado.
Muitos bébés pequenitos, hoje amados e desejados nas mãos de gente boa.
Uma senhora de cadeira de rodas e com uma profunda deficiência mental e física, amada e desejada e bem tratada nas mãos de gente boa.
Gente boa que segue o exemplo de uma mulher boa, que se encontrou um dia com um Homem Bom.

Posso não saber porque estava a sorrir ao fim do dia do referendo.
Mas sei que a mão que mata é a mesma mão que permite a vida.
Que a mão que bate é a mesma mão que acaricia.
Que a boca que amaldiçoa é a mesma boca que abençoa.
Que a boca que sorri é a mesma boca que ofende.

Nesta nova vida que se vive e recomeça a todo o momento, prefiro dar a vida, acariciar, abençoar e sorrir.

Talvez fosse por isso que estava a sorrir naquele dia em que escolhemos...

domingo, fevereiro 04, 2007 

o aborto e Albert Speer...


Albert Speer - 1940 (wikipedia)


Decidir sobre o presente sem olhar para o passado não é razoável, pelo simples facto de que o presente vive-se agora, mas não começou agora.

Assim, contribuo para este assunto em discussão com um testemunho do passado. Um testemunho que não fala sobre o aborto, mas sim de uma posição pessoal de relação com a questão da vida humana e da sua importância no grande "esquema" das coisas .

Trago aqui um testemunho de Albert Speer, o grande arquitecto do III Reich e amigo pessoal de Hitler.

Speer foi um dos poucos oficiais que, no julgamento de Nuremberga, expressou algum remorso pelas atrocidades cometidas pelo regime Nazi. Foi condenado a vinte anos de prisão principalmente por utilização de escravos na sua "nobre" actividade de arquitecto-mor.

Um testemunho para mim espantoso, obtido numa conversa com Douglas Stuart, na BBC, em Outubro de 1970, 4 anos depois de ter sido libertado da sua pena de 20 anos na prisão de Spandau.

Um testemunho onde Speer procura explicar como aceitou os campos de concentração, onde se fala do ambiente social em tempo de guerra, de moral, de sentimentos adormecidos, de desculpas, de culpas, de escravos e de arrependimento.

Um homem brilhante que considera que a sua maior falha na sua vida, foi ter fechado os olhos à realidade dos campos de concentração.

O que tem isto a haver com a nossa discussão do aborto? Tudo ou nada. O que acham?


O testemunho está disponível no endereço http://www.bbc.co.uk/bbcfour/audiointerviews/profilepages/speera1.shtml
seguindo o link "his commitment to the war and acceptance of the concentration camps".

Forte abraço


M

  • Deixo aqui as minhas pegadas para saberem que por aqui passei e que por aqui não fiquei!



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